AFUNDADO EM 6 DE ABRIL DE 2004

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2.3.10

ENTRE TIVE e ENTRE TEVE

Don Key, mestre de grandes obras –todas, menos literárias!- concedeu a sua primeira entrevista, série: Dade, aqui ao manxa e sobre o que se segue.

manxa- Está preocupado com a economia?

Don Key- Não. Absolutamente. Tenho muitas economias; se uma se perder... ainda fico com outras tantas.

manxa- Não, não é o pé-de-meia, ou pés, que tem, mas a Economia.

Don Key- Ah! Nunca imaginei que a ‘coisa’, quero dizer a Economia, fosse apanhada, assim, desprevenida. E depois de tanto lucro. C.A.R.A.M.B.A! (Psiu! Mas Ela sabia com quem andava metida. Sempre ouvi dizer que o gajo não tinha nem um tostão, e mesmo assim Ela quis casar-se com partilha de bens. Chiu!)

manxa- Como se está a dar com o aquecimento global?

Don Key- Muito mal. Faz-me transpirar muito. E quanto mais transpiro mais banhos tenho de tomar. ‘A pain in the ass’!

manxa- Mas, o que pensa de toda a discussão, filosófico-científico-e não sabe mas diz o que sabe?

Don Key- Ah! Para mim, e devo salientar a minha total imparcialidade no assunto mesmo possuindo acções de uma fábrica de frigoríficos, temos de esperar com calma. Não podemos precipitar a precipitação; não podemos reflectir a radiação; não devemos ir prá esplanada no inverno, muito menos a pé; em suma, se tiramos o frango do churrasco ante de ele estar assado como vamos poder assa-lo? Ah? Pois, com calma, e chupem mais gelados.

manxa- E o que lhe vai na alma política?

Don Key- Muita confusão. Mas deve de ser na minha cabeça; o mundo continua a viver o seu dia-a-dia normalmente, sem grande sobressaltos: ainda não houve a tão propalada 3ª guerra mundial, pelo menos desde que começou a contagem ; ainda não faltou comida, água, vinho e perfumes; o sol levanta-se a horas e a lua continua a ter as suas fases... É verdade, ò manxa, nem com a Economia toda tesa e os mealheiros em cacos o povo chora: discotecas fechadas só por falta de seguranças.

manxa- E assim damos por terminada a primeira entrevista. Muito obrigado, Don Key, e em breve entrevista-lo-emos para ‘outros’ assuntos. Se quiser.

Don Key- Obrigado não, são, exactamente: €xxxxxxxx. E sempre à disposição, ora essa.

24.2.10

MEN (DING THE) THINKING

I was told,
Before I could
(Unfold) tell,
So many things
(Unbelievable,
Most of them!)
That brave
Men do.
Only
Brave men.
Do me
A favour,
Teach me
To be brave,
And then
A man.
©2010 manxa

17.2.10

CENTAI-VOS

Em tempos de crise, a Crise obriga-nos a fazer sacríficios. Quando a crise é muito grave, o sacríficio é maior, ainda. Também é normal que os salários não subam, mesmo corr(o)endo-se o risco dos melhores trabalhadores “fugirem” (com as melhores trabalhadoras). A verdade é que o sistema é capitalista, o lucro é a sua pujança, e nada, nem ninguém, que se meta à sua frente pode esperar uma gentil brisa a acariciar-lhe as bochechas. Não! isso seria um sacrilégio. Agora, a crise, ainda mal começou, mas não se pode impedir que os lucros bancários possam originar bónuses para os seus dedicados funcionários: aliás, a magia de transformar centavos em lucros é muito exigente (embora poucos percebem a sua real dinâmica!!): muita papelada, muita ginástica, muita letra miudinha, muita perspicácia, muita ambição, muita simpatia, muita roupa do mesmo estilo. Enfim, uns dão o corpo às balas, outros tratam de produzir as balas; os primeiros são dispensáveis, os segundos são profissionais.

14.2.10

REFORMAS? REFORMEM-SE...

Nunca fui muito fã deste sistema porque, quando me quis reformar aos 20 anos de idade, me rejeitou o pedido, insistente devo de confirmar, e mandou-me trabalhar até me cansar. Mas como nunca me cansei de pensar, mesmo sem me pagarem, cheguei à conclusão de que o melhor será o sistema acabar: pague-se um salário in decente, que dê para que cada um se possa governar bem, até de quando se nasce, e que se reforme quando quiser e que coma do que sobrar.

11.2.10

INFINITY

Infinity for tea
With milk
And sugar.
From the sea
We get oysters,
Mad fishes
And salt.

I swim
Easily
With infinity
But a cup
Of tea,
No milk
You see,
Not for
Me.

And I shall
Dance
Around infinity
‘Till she’s
Tired of me
Then I will
Marry her
And have
Infinitea.
©2010 manxa

DAY SAY 32

O meu peso tem sido o mais constante dos dois.
Eu say!
©manxa

8.2.10

RETRO VISÃO

Para tentar estabelecer um recorde de saltos para trás, Zé-Polvinho tem andado, muito suado, a treinar os Crómicos na arte do retro-visor: ver sem olhar para trás.
Também atento à agenda Lisboa 2000 –que garantiu que se esforçariam muito... para que a economia da UE baseada no conhecimento fosse a mais competitiva e dinâmica do mundo em 2010- Zé-Polvinho inaugurou a primeira escola-estufa –de sua iniciativa- para, pelo-sim-pelo-chão, acabar com o crescimento do tal conhecimento. Da economia, entretanto, encarregou-se o governo, através duma série de estu-fados, cujos dados ainda não puderam dar nada, mas que dão equivalência obrigatória.

7.2.10

WORLD WILD WEST

Zé Polvinho, e os seus Crómicos, criou uma nova web. Nessa teia, sem rede por baixo, os malabarismos são inspirados nos saudosos tempos –pelo menos aqui para o manxa- do velhinho faroeste: cavalos de corrida, bagaço do alambique no salon, tiroteios por tum-cá-tum-lá... enfim, tudo virtual e promissora fonte de entretenimento; basta clicar na ratoeira.

ZÉ POLVINHO

Anda todo atarantado com tanta notícia. E incomodado. Já lhe chegavam os problemas para ter de lidar com tantos tentáculos, estendidos e com ventosas que se colam a tudo, que dispensava bem tanto abraço. Agora, segundo diz-o-que-diz, a pressão anda muito alta mas em baixo de forma.

6.2.10

TERRA MOTO

Acabe-se com as ajudas financeiro/humanitárias a países miseráveis e acabar-se-á a sua misério/dependência em menos tempo, e com mais sucesso, do que se pensa.
Para não falar dos paraísos financeiros, onde os habi-tu-és (isto porque adjectivos como corrupto, ditador, cobarde, etc. não funcionam quando se vestem fatos respeitáveis e caros!!!) sem qualquer problema, ou susto, guardam as suas economias –ao lado das dos seus principais patrocinadores- economizadas a custo de tanto suor, lágrimas e sangue...
Conclusão: de uma maneira ou de outra os desgraçados morrem à fome, à doença, depois de nascerem e até antes de crescerem, com tiros às costas e, cada vez mais,com direito a foto/vídeo/banda sonora/ nos principais meios de comunicação capitalista do mundo. E até nos pensamentos de uma grande parte (os mais melódicos) dos artistas mais importantes das actualidades –que já assinam contratos em que se compro-metem a cantar em tudo quanto for festa de angariação!!!!
Aleluia!
Amén!
Jimi Hendrix would love it!
Slogan: humanitarian relief (…) helping dictators helping themselves; meaning: transformar diabinhos em anjinhos.
Dado científico: não houve nenhuma catástrofe natural –tirando a que deu cabo dos cuchi-cuchi dinossauros- que tivesse causado tantas vítimas como as ajudas humanitárias!
Fonte: manxa

19.1.10

TEMPLO AO TEMPO

«Não tenho tempo!»
Dizem uns aos outros
Como se fosse
Uma coisa séria,
Pensada,
Enfim,
Verdadeira.
Mas é, apenas,
Uma maneira
De esconder
A verdade
Quando
Não se sabe
Mais o que
Dizer.
Eu, o que
Tenho mais
É tempo;
Tanto
Que até
Lhe construí
Um templo.
Adoro-o
Todos os
Dias
Mas sem
Manias,
E quando
Posso
Troco-lhe
O passo
E fico
Sentado
Ao seu lado,
A pensar
No que
Lhe vou
Perguntar.
Mais tempo?
Para quê?
Para quem?
Para quando?
Pois eu
Estou bem
Assim,
Desde
Que ele
Não se atrase.
Além do mais
Está quase...

DOCE NA CABANA

O sol, a espreitar por detrás dum calhau do tamanho da lua, prepara-se para aquecer tudo e todos; quer queiram, quer não, pois é verão.
Raramente me apetece, e muito menos o faço, mas decidi levantar-me mais cedo, arejar, amplamente, a cabana, e cozinhar (ou será confeccionar?) um doce.
Mas a culinária não é o meu forte, e talvez um doce na cabana não altere essa moda.

OS BANQUEIROS DO EXTERMÍNIO DA VONTADE

Desde sempre que o sistema capitalista tem um defeito de fabrico que o impede de, pelo menos, ser perfeito; e não afirmo mais perfeiro mas PERFEITO!
Históricamente é possível re-ver todas as grandiosas maldades que em seu nome se cometeram; todas as irracionalidades e todos os crimes –que ficam, em 9% (conclusão minha!) dos casos, orfãos e sem consequentes penalidades- e, se não fosse por mais nada, a obscenidade de alguma riqueza deveria de arrasar a questão e mandar os culpados pedir esmola. Mas não, apenas impola, ainda mais, a bolha e mantém a insanidade do querer a par da sanidade do ter. Se melhor prova fosse necessária para provar a insanidade desta humanidade não a encontraríamos; agora que a temos não a usamos para nada!

17.1.10

HELP

São 4 da manhã, fui à polícia já há mais de meia hora, mas a festa continua e polícia nem vê-la -apesar da senhora me ter comunicado, pelo intercomunicador, que iria mandar alguém.
Mas o grave são os graves que abanam todo o prédio; ainda por cima a música faz eco no prédio em frente. Enfim, Amsterdão já não é o que era, e eu não conto adormecer antes das 6 da manhã. E das duas uma, ou os meus vizinhos são mais duros de ouvido que uma pedra, ou, então, não estão legais!!! Hum!

12.1.10

AGRA(DA-ME)

As nuvens cinzentas estão tão tristes que choram sem parar. E o chão, já tão ensopado, não quer engolir mais água; parece um lago, e se tem ervas um arrozal. As árvores, meio despidas e com folhas envelhecidas, transformam a vista num belo quadro (melhor do que os pintados). Mas os pinheiros ainda tem as folhas verdes, e eu, de repente, voltei à minha infância com tamanha alegria que só me apetece correr por esta terra imaculada, e inspirar a frescura, os cheiros e as fantasias que por lá andam à mão de apanhar. O rio, alimentado por múltiplos riachos, espontâneos ou renegados, corre enfurecido, batendo nas pedras e salpicando tudo. E até o vento não quis faltar a esta festa; naturalmente espontânea. Parece que (re)encontrei o meu paraíso!