AFUNDADO EM 6 DE ABRIL DE 2004

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28.2.08

EMBARGOU-SE-ME A VOZ, ATÉ

Cuba é um caso de estudo!

Fidel é um ditador!

O embargo americano prova que o espírito vingativo é, ainda, parte integrante do tecido social americano; apesar de se saber que já deu o que tinha a dar e que o seu levantamento há muito teria sido a melhor solução - principalmente para o povo cubano , que é quem paga a factura toda!

Imagine-se um embargo dos nativos americanos pelo vexame que sofreram –e não ficou provado, antes pelo contrário, que estejam melhor hoje a conduzir um quase tanque militar nas estradas infinitas do que sentados no lombo dum cavalo a caçar nas pradarias eternas!

Aproveito, também, para tecer os primeiros comentários sobre os candidatos às eleições americanas: McCain não interessa a ninguém; Obama não tem chama; Hillary provoca-me dor de dentes. Voltarei! Ao assunto.

MEDALHA DE CHAPA

Para Portugal, segundo me foi secretamente transmitido, foi criada a categoria de 4º mundo; deixando de fora, só, o que é bom, o resto (tanto que será exclusivo) só mesmo metido numa nova expansão do conceito –que não sou muito familiar com, é certo!- construída em betão-armado e, evidentemente, já na 5ª derrapagem orçamental, 23º estudo de impacto ambiental, 19 gestores com ordenado de 2ª classe, 78 carros topo de gama para o transporte frágil dos copos dágua, 5 engenheiros com a 4ª classe, 93 emigrantes ilegais a trabalhar legalmente, 92 subcontratadores, 99 contratadores, e 9 milhões e tal de pagadores. Os 7 andares -1º, 2º, 3º, 4º, 3º, 2º e 1º- serão servidos por elevadores a jacto.

AQUI, QUERO UMA JANELA TIPO FENÊTRE!

Quando uma empresa como a microsoft, coerentemente monopolista, marra, e escaramuça sem grandes preocupações, com a comissão europeia, entidade multi-nacional, alguma coisa está errada; e nem falo dos valores envolvidos.

27.2.08

UMA CERTEZA E OUTRA

O futuro será risonho!

O futuro será complicado!

Escolha o que lhe servir melhor, do nosso catálogo exclusivo, e nós encarregaremos alguém de tratar dele... para si! Pagamentos a pronto e a prestações –esta última opção só hoje: uma de manhã, outra antes do almoço, outra depois do almoço, uma ao lanche, uma antes do jantar e a última antes de deitar... e quanto mais tarde se deitar mais tarde paga!!!

nota: também temos futuro assim-assim!

A MIRANDA AVISOU-ME

Que eu tinha o direito a ficar calado, mas, se optasse por falar, tudo o que dissesse poderia, com toda a certeza, ser usado contra mim: no local de trabalho, no bar e onde calhar. Só pelo puro prazer de cortar na casaca, de ferrar no osso e de votar tudo a perder. E que eu tinha o direito de falar com a minha mãe, e de tê-la presente durante qualquer das minhas queixinhas e/ou linguarejar. E no caso dela não poder, ser-me-ia arranjada uma Maria-Bernarda à conta do governo que a substituisse.

-Compreendes? -perguntou ela.

-Sim... mais ou menos... -respondi-lhe pouco atento e a bufar.

26.2.08

PROJECTO(S) DE INTERESSE NACIONAL – PIN

Código – ***0

Saldo – 0,00

Lamentamos, operação interrompida por falta de crédito.

KOSOVO

Ainda não estou convencido que a proclamação, uni-lateral, de independência tenha sido a melhor solução, sequer um acto sensato e de credibilidade. E Timor esteve, quase, para ser exterminado! E a Nova Guiné (Irian Jaya) ainda com o mesmo opressor que Timor? E o Saara Ocidental, oprimido por Marrocos, e esquecido pelo resto do mundo? E Cabinda? E os 4 milhões de mortos no Congo –para além da imensidão de miséria que resta: violações, mutilações, refugiados e escravos? E o Tibete?, esperando a benevolência do Dragão? E os Curdos? E os Palestinianos? E os Bascos? E os Galegos? E os Portistas?... enfim, dêem prioridade aos Belgas.

24.2.08

EU DOU, ELE DEU, ELA PAGA E TU…

Quando os partidos não sabem gerir as suas contas –onde não há divagações ideológicas- como é que hão-de saber gerir as do país? Provávelmente passarão a maior parte do tempo da governação, e às escondidas, entretidos a resolver a barracada!

A FAZENDA DO CORONEL FÉR D. NANDO

A carruagem vinha a abarrotar de deputados e de cansados; havia parado a meio caminho, por alturas de Quimbra, para um esticanço das correias dos travões das rodas -os cavalos aproveitaram para beber e pôr a conversa em dia, enquanto os deputados optaram por descansar, e os cansados por andar.

Chegadinhos, pois, ao Largo da Sede do Morto, foram dispersando, fugazmente, cada um com sua passada, e com suas malinhas de mão na mão. Mas havia um que se não descosia, pelo que foi fácil isolá-lo dos outros e concluir que ali havia coisa. Coisa boa ou coisa má? Essa era a segunda questão que emergia, já que a primeira não tinha pernas para andar. Díficil, muito complicada de destrinçar e mesmo a calhar; seria a oportunidade para ir de visita Lábaixo, e gozar de uns dias ao sol, de companhias cultas e urbanas, de ver queques e saborear pastelinhos, e de fazer as respectivas inquirições acerca daquele Bigode impressionante.

22.2.08

SONATA

A liberdade é, afinal, prisioneira e fêmea! E os maiores amigos da democracia são, também, os maiores amigos dos inimigos da democracia!

21.2.08

AO METRO E AO CABO

Já sei do que a casa gasta –a justiça de certas coisas não é de bradar mas de enlouquecer- no que diz respeito aos transportes públicos nacionais. Por exemplo: entrar num autocarro dos STCP no Aliados, comprar o bilhete ao motorista, sair no Stº António porque me enganei no dito, esperar na paragem por outro, entrar no outro 10 minutos mais tarde, comprar mais outro bilhete a outro motorista, sair num sei aonde e fazer o que tenho a fazer, voltar passado meia hora, apanhar outro autocarro, comprar mais um bilhete, sair junto a uma estação do metro, comprar outro bilhete, enfim, ir depressinha para casa... de autocarro ou de comboio já não interessa mais, mas, de preferência, com mais um bilhete, e refrescar o cérebro fumegante.

Aqui, onde vivo, o tempo é deprimente, a língua é esquisita e ainda mal aprendida (após quase uma década em que todos me falam noutra língua, e às vezes só de me ver!) a sociedade tem outras manias e feitios mas... compro um bilhete (por acaso uso passe, mas o resultado final é o mesmo) conforme as zonas que pretendo viajar (1, 2 ou 3) apanho um eléctrico, mudo para autocarro, depois é a vez do metro e, durante uma hora, com o mesmo bilhetinho abençoado, só me preocupo em o mostrar sempre que preciso, e ir, e vir, e tornar a ir até me cansar, e tudo numa hora. Até dá tempo de parar para um cafezinho, que aqui o ordenado é um bocadinho mais aconchegado! E, mesmo assim, também há carros, mas muito mais bicicletas, e justiça social, e poucas vaidades, e engravatados a pedalar, e senhoras de tacão alto e roupa chique a pedalar, e enfermeiros, e médicos, e engenheiros, e arquitectos, e professores universitários. E as técnicas mais avançadas do mundo em diques, que mantém um país pequenino e situado abaixo do nível do mar a flutuar; com orgulho e habilidade, e no pelotão da frente em quase tudo o que interessa ao povo!

Enfim, um dia vingar-me-ei, e pedirei a Deus que me compre um Mercedes Benz!

SÓ QUERO CHICHA, MÃE,

senão não me seguro de pé!

DISCURSO INTELIGENTE DE UM PRIMEIRO-MINISTRO IMAGINÁRIO A UM PAÍS À PROCURA DUM ENDIREITA, E CUJO POVO É MUITO BAILADOR

Estou muito contente por ser o vosso primeiro Primeiro-Ministro. O país está no bom caminho, e a caminho de se sagrar campeão em todas as frentes; incluindo as de trás. E os ministros que me acompanham, assim como todos os seus acompanhantes e seus acompanhantes, esforçam-se, como tolinhos passe a expressão, para vos servir com, ou sem, curso universitário, experiência, ou não, de governação, carácter, ou personagem, em guest appearance, e, óbviamente, com uma total abnegação e fé cercadas.

Sem querer alongar-me tanto como Castro, gostaria de sintetizar as nossas principais metas, e sucessos, quer a titulo pessoal, colectivo e atlético. Assim:

- a saúde está a ser tratada, muito bem medicada e com um total encaixe administrado de lés aos pés das camas;

- as finanças estão a ser muito procuradas -essencialmente por formulários, atrasados e agências- muito bem geridas e com um total encaixe depositado de contas e de subtracções no ratio de um para um, conseguindo, assim, o envolvimento total do país e dos pais;

- a educação está a ser educada sob os auspícios de uma liberal visão anfiteatrica, desde a mais tenra idade, e com mecanismos nunca antes arrojados pela escadaria dos anos escolares acima, quedando-se, patamar-a-patamar, em absoluta convergência com os parâmetros estabelecidos em centimetros, quando não ao milimetro;

- a justiça exercita o seu músculo diáriamente, incluindo os fins-de-semana, com maior assertividade e pujança devido ao nosso plano, traçado e cronometrado, de maximização e optimização dos pesos e das balanças na aferição dos maltratados, dos enganadores e dos culpados;

- o parlamento, e o governo também, tem agendas extremamente secretariadas, telefonadas, até mesmo inter-netadas, num ex-forço para que a realidade dos desafios seja equitativa à realidade das nossas possibilidades, assim como, para que os governados saibam quando estamos bem ou mal-dispostos, e nos poderem dar, consequentemente, tempo de recuperar o sono e reparar na paisagem e a buracada que for aparecendo;

- nos campos, nos ares e nas águas militares, as compras são a melhor defesa, e os rendimentos o melhor ataque: tudo preparado durante exercícios a fingir e em segredo de quem sabe: que é não só a alma do negócio como, a melhor táctica para evitar o corpo-a-corpo;

- na ordem está a polícia, garantindo, na primeira, segunda e terceira pessoa do singular, o cumprimento da lei, a fiscalização primária, a investigação, as concertadas e os controlos anti-doping: o crime é um facto, mas a sua diminuição, senão mesmo castração, é um objectivo há muito conseguido, havendo, aqui e ali, pequenas escaramuças assumidas por indigentes e delinquentes desassossegados;

- por último, sabendo que muito ficará por dizer mas seguro de que o resumo toca os quatro cantos do quadrado, gostaria de falar do excelente trabalho pessoal das chefias do Banco de Principal, desenvolvido por entre milhares de apontamentos, debaixo de um ensurdecedor tilintar de metal - claro, devidamente eliminado pelo uso de orelhas moucas transportadas em carros exclusivos- e em que antevejo um sucesso descomunal nos fins lucrativos da nação em geral, e em particular dos nomeados responsáveis: que recebem elogios de todo o mundo pelo ordenado, e impossível, ritmo de trabalho que impõem a este país solarengo e dos “quentuques” a sete tostões.

Gracias! Ide em pares e com o novo cartão de crédito para uso pessoal à la vontade!

Ah! e deixem-me governar em paz e pela união de fato com a gravata; as saias não saiam além-ao-mar, como as caravelas com seus motores e mapas de marear mares onde se ocultam vendavais inesperados. Ao Porto! Ao Porto devemos rumar com boa vontade e sede! E aos outros quando houver résteas... de tempo e demais travos!

CONTRACÇÕES MUSCULARES

É espantoso que há 2000 anos atrás, mais ou menos, Jesus, primeiro, e Mohammed, 500 anos depois, foram os responsáveis pelo germinar das sementes – na pedra de uma calçada pedregosa- que deveriam ter como pressuposto principal crescer árvores frondosas ao longo dessa avenida em construcção, e que nos permitiria alcançar, sem desvios e usufruindo de sombras refrescantes, as fundações do respeito humano, da bondade, da igualdade e tantas outras maravilhas –mais usuais na literatura de pistoleta e pistoleto- existentes no Templo Harmónico. E nós continuamos a seguir... em frente é verdade; e cada vez mais alvorados em seus únicos e legítimos condutores/guiadores, atropelando tudo o que se constrói em direcção contrária. Ou nas bermas. Mas as pedras, devido ao constante calcorrear, vão ficando cada vez mais macias, e o Templo, encoberto.

UM MAJOR SEM EXÉRCITO

«Eles comem tudo e não dizem nada!» -afirma um soldadinho; não de chumbo mas de pé raso.

A velhice, muita das vezes, não perdoa; a justiça sim, e a vida continua por entre escombros de guelras surdas, por entre espectáculos de luxo impotente, por entre corridas atrás da bola, por entre assobios mal ouvidos e palmas batidas à mão. E, se considerarmos a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o tudo bom são direitos con-sagrados; mas a porca tem várias mamas, e os primeiros porcos que se abocanharem às mamas mais próximas da cabeça da porca-mãe bebem um leitinho mais rico do que os porcos que se abocanham às mamas do meio para o rabo. Ao fim dum par de meses a diferença, em quilogramas, é abismal, sendo que o porco relegado para o rabo nunca mais poderá “lutar” –falta-lhe o sumo!”- pelas mamas mais proteícas da frente: e bem pode chorar!

«Eles fartaram-se, e começaram a desertar!» -afirmou o soldadinho, depois de bater o pé, chateado e ainda raso.

FERNANDO PESSOA MANDOU- ME UM TELEGRAMA DE VALETE, EM FRATES

NEVOEIRO

NEM REI NEM LEI VG NEM PAZ NEM GUERRA VG

DEFINE COM PERFIL E SER

ESTE FULGOR BAÇO DA TERRA

QUE É PORTUGAL A ENTRISTECER―

BRILHO SEM LUZ E SEM ARDER VG

COMO O QUE O FOGO-FÁTUO ENCERRA PT

NINGUÉM SABE QUE COISA QUER PT

NINGUÉM CONHECE QUE ALMA TEM VG

NEM O QUE É MAL NEM O QUE É BEM PT

(QUE ÂNSIA DISTANTE PERTO CHORA INT)

TUDO É INCERTO E DERRADEIRO PT

TUDO É DISPERSO VG NADA É INTEIRO PT

Ó PORTUGAL VG HOJE ÉS NEVOEIRO...

É A HORA EXC

CORRENTE ALTERNADA

Divagações sobre a arte do discurso – in e directo, alinhavado, enviuzado, picado, e de inspiração Socrático-Platónica.

Dizer que está tudo bem, ou a melhorar, é a especialidade dos políticos quando no governo. Aliás, eles nunca dizem o que não pensam, nem desfazem o que prometem, nem se preocupam com nada que não seja a saúde, sondagens subterrâneas favoráveis ao petróleo, ou o melhor ângulo para encher a câmara... de oxigénio. E há, também, aqueles que –por terem overdose de serotonina- apelam ao discurso optimista, vulgo não descalçar só uma bota. Mas que há, sempre, necessidade de expôr o quarto de arrumos, quando está todo desarrumado, isso há; e mesmo que não estivesse! Socorra-mo-nos disso, pelo menos, como último bastião contra o aborrecimento na sala-de-estar, e como anti-climax ao voto a nulo.

Nota final: decidi não abordar o discurso da oposição porque é inconstante, e, como tal, susceptível de mudar a qualquer eleição! Quer dizer, momento; pelo que não poderia acabar, nunca, este texto se lhe desse crédito sem juros demora!