AFUNDADO EM 6 DE ABRIL DE 2004

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20.1.08

20010923

22:43

Choro

E adoro-te

Ainda com fervor

Minha Deusa

Que me tratas

Como Deus

Sempre

Com desprezo

Cada vez mais

Cada vez menos

Eu vivo

Já não sei

Quando devo

Dormir

Acordar

Amar

Odiar

Se falo

Nada

As palavras

São mudas

Porque

Têm medo

Da eternidade

Do vazio

Que se ausentou

No meu quarto

De ameaças

E farsas

Vivemos

Por comodidade

Movimentos

Agendados

No futuro

Eu creio

Em mim

Não estou

Que me dispo

Quando me visto

Nú (não)

Só (sou)

Lá (nada)

23:01

FADO DE MANO

Ai o Fado do meu país

Que eu tanto desdenhei

Pois agora a minha alma

Sem ele não sabe viver


Embala-me a angústia

De não ser amado

Sussura-me que chore

Porque o amor é como

O Verão e o Inverno

Quente ou frio

Porque o amor é como

O Outono e a Primavera

Triste ou alegre


E como as flores que brotam

Desta terra sem se importarem

Se é boa ou má, terna ou agreste

Eu afago-te como a uma guitarra

Que não sei tocar e

Que me enfeitiça como

A doce voz humana

Amsterdao 2003/11/10

SECANDO A ROUPA NO CORPO

As chuvas de Maio,

Abençoada Primavera,

Vieram para lavar o verão

E levar o Inverno

E se fosse o povo,

Lavado e levado?

E se fosse o politico,

Lavado e sovado?

E se fosse o padre,

Lavado e convertido?

E se fosse o doutor,

Lavado e curado?

E se fosse o senhor,

Lavado e educado?

E se fosse a senhora,

Lavada e educada?

E se fosse o menino,

Lavado e humanizado?

E se fosse a menina,

Lavada e humanizada?

E se fosse eu,

Lavado e apagado?

… para lavar almas e secar lágrimas!

Amsterdão, 27 de Maio de 2003 (manhã de sol)

QUANDO QUIS COMER O MUNDO

Comecei com uma fome doida

Excitado

Comi bons bocados

Uns doces

Outros salgados

Muitos amargos

E tantos sem sabor

Mas a digestão é lenta

E a paciência desespera

Não espera com paciência

E eu, louco e parvo,

Tomo digestivos e

Bebo aperitivos

Tudo por entre palitos

Lânguidos gritos

E rebuscados mitos

Procurei o doutor

Visitei a bruxa

Ouvi falar do curandeiro

Cresci nas barbas do pároco

Brinquei com o menino Jesus

Mas o tempo azedou

Divorciei-me

Embebedei-me

Espetei-me

Esquivei-me

Queimei-me

Escondei-me, senhora,

Escondei-me debaixo do vosso pranto

E eu beijarei as vossas curvas

Mais audazes e desprotegidas

Teremos, depois, um filho

E apaziguarei a minha fome,

Creio…

Quero comer o mundo

Amsterdão 9 de Março 2003 23:52

FOICE O AMOR FOI-SE

Cresceu-me um desejo

Sem cessar

Fiquei, assim,

Enamorado

Arrebatado

Desorientado

Não sei, mas aconteceu

Um dia, e de verão

Resisti, a princípio,

Por não gostar

Desse amor

Que veio de longe;

Do norte,

E com porte,

(e eu no sul

sem norte)

Para me elevar

E levar a voar

Entrei novos mundos

E com alguma admiração,

(Não muita)

Tristeza e rebeldia,

Fui-me perdendo entre

As eternas seduções;

Que fugiam ao raiar

Do dia, que era,

Ao fim da noite,

A

Folia

A

Ilusão

O

Sono

O

Desencontro

A

Tristeza

O

Carinho

Sim

Muito carinho

Mas os momentos sucedem-se

Com ritmos trocados,

E sem parar,

Que a dança não dança mais

Foi-se, então, para o mar chorar

As ondas passaram e levaram

Estes esqueletos perdidos

E outros mais

Dia e noite

Sem parar

Que o que parou

Foi o amor

De crescer

E de sorrir

E a água

Fica sem sal

De tanto chorar

E sem sal

Não vale de nada

A pimenta

Pois já não esquenta

O que arrefeceu

Nem na cama

Nem no chão

Nem fora

Nem dentro

...

Ah! A ilha do Sal...

Se a Cesária soubesse

Mandava-me algum,

Concerteza,

Que eu escrevia-lhe

Uma música de sonho

E uma letra à mão

E cantava com ela

Se ela quisesse

E gostasse

A voz

Quando canta o

Amor

É sempre mais

Bela

Mas cuidado

Quando chora o

Fim

Nao se sabe

Como vai soar...

A lágrima

Se for alma e coração

A ódio

Se for besta

A nada

Se for gelo

A vinho

Se for felicidade

...

Não, eu não vos digo

Porque vou comer uma

Salada com

Tomates vemelhos

Pimentos verdes

Azeitonas pretas

e...

Sal q.b.

Azeite?

Não!

Desta vez

Só água

De lágrima

Salgada

Toda nua

Toda molhada

Assim

De dentro

Muito dentro

Do fundo

Muito fundo

...

Do seu

Céu

Do meu

Céu

Do

Azul

Do

Verde

Do

Vermelho

Do

Amarelo

Da

Preta

Do

Branco

Da

Mulata

Do

Crioulo

Do

Tolo


2001-05-21 e 29 - 22:25/00:04

esboços descarados

os rostos murados

falam para o alto,

condescendentes e

bondosos;

dou-lhes uma face,

depois a outra,

mas eles esquivam-se

às duas.

afago-os com cinzel

e maceta,

e esboço-lhes um sorriso

descarado:

ao primeiro esforço

cairam-lhes os dentes

todos. apanho-os, um a um,

e deposito-os nas suas

algibeiras esboçadas.

ficaram agoniados, sinto-o.

creio que não sabem sorrir

com doçura;

é, talvez, devido a uma

cárie mental

abstrata e bem tratada


2.11.2003

DE A PARA Zeite

Ando
Bem
Cuidado
Demasiado
Esquecido
Frequentando
Grandes
Hipotecas
Irracionais
Jornadas
Kant
Louve
Modernize
Namore
Olhe
Pilhe
Quando
Remar
Sozinho
Tranque
Uma
Viagem
Wá
Xuxe
Yó
Zona


26.11.2003

BÉBÉ NÃO CHORA…

Não me lembro quando chorei

A primeira vez

Foi há tanto tempo

Foi há muito tempo


Não me lembro quando chorei

A ultima vez

Se foi ontem

Se foi hoje

Talvez amanhã, talvez


Os bébés não choram reclamam

Os homens não choram clamam

As mulheres choram porque amam


E eu reclamo,

Clamo,

E choro!!!


28-04-2003

O RAPAZ DO CHÁ DE GAZA

Trago chá quente

E misturo-me na multidão

Mutilada do hospital de Gaza

Vendo a doutores e enfermeiros,

A doentes e a guerreiros;

Sempre prontos a disparar

Por tudo e por nada,

Mesmo dentro do hospital...

Volto a casa e preparo mais chá

Para ir para o hospital de Gaza,

E à multidão mutilada

Por vezes fio, outras, vendo pelas

Ruas. O meu pai está

Desempregado, o meu país

Esmagado,

Consumido,

Enganado e

A ficar maluco, creio.


2006-10-05 Amsterdão - 17:12

A CORRENTE DO AO PAU

espera-me, se puderes,

lá em baixo perto do frio;

porque tenho medo desse frio.

porquê?

porquês?

portuquês?

doar-te-ei o meu calor;

que nunca arrefecerá, prometo,

se me protegeres desse frio.

quando?

quanto?

canto?

quero saber quem sabe: sabes tu

porque é que quero saber?

porque tenho medo...

medo do credo que aprendi,

que rezei, que preguei, que roubei,

que já não sei.

porque tenho frio...

frio de tremer, de chorar.

e mais, de fugir aos dias.

espera-me, outra vez,

e se não puderes manda alguém

que possa receber o meu frio;

doar-lhe-ei calor também...

um pouco mais colorido;

talvez com as cores do amor.

quem?

querem?

pedem?

fechei-me num mundo de aluguer,

há muito excomungado pelo comprado.

respondi-lhe com uma extrema unçao.

por isso esta relação distante é quente,

e como no nosso século XVI o tempo, agora,

é de descobertas: novos mundos todos os dias

para todos os gostos e para todas as economias.

os pobres alojam-se no leito da terra e respiram pó.

os ricos um pouco mais alto, perto de céu, e transpiram.

abro-me ao anoitecer para receber novos desafios dispersos,

que são fatalidades adormecidas pelo efeito da tirania capitalista.

mercadores e mercadorias confundem-se e passam, de mão em mão, a mão

pelo horizonte; perdido ou iludido pelos malabarismos da faladura sensual.

mas por enquanto as coordenadas estão condenadas à desolação redentora das dores,

agora que as paisagens nacionais ardem sequiosas de líquidos vinícolas de cor tinto

porque lhes não falta pão, tensão, maquinação, manipulação, aberração, nem não. nem não, não.

ah

ão

ha

ão

ah

ão

ha

ão

ah

ão

ha

ão

haha

29102002 23;50

19.1.08

HOSPITALIDADES...

a la carte, a la vip, a la gps e ao milagre!

A notícia não é esclarecedora –e parece-me que quem a reportou ficou, também, à porta da notícia...- por isso remeto-me para esta questão: “será que se pode equiparar as possibilidades de assistência de uma ambulância com as de um hospital?” quero dizer: “será o básico melhor que o específico?”

Por último; os critérios que sobressaem de uma análise superficial à prestação de cuidados de saúde em Portugal parecem, salvo erro, estar de... de... deveras a necessitar de cuidados intensivos, e transporte urgente a bordo de um F-16!

«Grândola, vila morena...»

ESCAVAÇÕES

Será a inteligência uma estupidez emocional?

9.1.08

MELHOR COMÉDIA DE TELEVISÃO DE SEMPRE – parte 2

terceiro lugar ex aequo

It Ain't Half Hot Mum - BBC

As peripécias artísticas de um grupo de soldados da Royal Artillery Concert Party durante a II Guerra Mundial.

O sargento-Mor Williams em (des)controle dos exercícios, e sempre pronto para um "shut up!" fulminante!

Dad's Army - BBC

Acção passada, também, durante a II Guerra Mundial na fictícia cidade Walmington-On-Sea, retrata o desempenho de um pelotão em alerta constante perante um iminente ataque dos alemães.

Comandados pelo aguerrido capitão Mainwaring: “you stupid boy!”.